segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Como Sermos Bons Pais segundo a Bíblia?



Muitos pais parecem se favorecer da prerrogativa do quinto mandamento quanto à criação dos filhos, mas este é, de fato, um embasamento bíblico para os negligenciarmos?

No livro de Êxodo diz:

12. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

Êxodo 20:12

Desta maneira, nós, os filhos, estamos biblicamente obrigados a honrar nossos pais. Este é o quinto mandamento, não estipulado ou concebido pelos homens, mas ordenado pelo próprio Deus.

Entretanto, conforme dito acima, muitos pais negligenciam seus filhos e se blindam da responsabilidade paterna se utilizando do mandamento divino como pretexto. Assim eles não assumem seus próprios erros e – pior ainda – não os corrigem.   

Mas o que seria negligenciar? O site dicio.com o define:

1.       Não ter cuidado com;
2.       Ter negligência nos modos como se trata algo ou alguém;
3.       Desleixar ou desleixar-se: a mãe negligenciou os filhos; ele se negligenciou após o seu casamento.


Vejamos alguns exemplos bíblicos do que se acontece quando os pais negligenciam os filhos. A preferência entre os filhos lhes causa insegurança e ressentimento. Isaque e Rebeca tiveram dois filhos, Esaú e Jacó, mas nutriram sentimentos de preferência entre eles (Gn 25:28). Jacó, com a ajuda de sua mãe, engana a Isaque, roubando a bênção da primogenitura (Gn 27:18-29). Isto o ocasionaria um terrível pecado que o perseguiria por quase vinte anos (Gn 31:41).    

Apesar de passar por esta situação desagradável, Jacó parecia não ter aprendido a lição. Com o nascimento de José (Gn 30:22-24), fruto de Raquel, a mulher que ele realmente amava (Gn 29:18), ele também nutre um sentimento de favoritismo entre os seus filhos (Gn 37:3-4), ocasionando uma tentativa de homicídio contra a vida de José (Gn 37:18) e consequentemente sua venda como escravo (Gn 37:27-28).

Portanto, vemos como a preferência entre os filhos causa danos profundos na família.

Eli, o sacerdote, tinha dois filhos, Hofní e Fineias. Estes, devido à sua tamanha perversidade, a própria Bíblia os classificou como filhos de Belial (1 Sm 2:12). Mas, diferente dos patriarcas, Eli não tinha preferência entre seus filhos, ao contrário, os amava profundamente, a tal ponto de honrá-los mais do que ao próprio Senhor (1 Sm 2:29).  

Esta era uma clara violação do primeiro mandamento, o que seria intolerável para alguém que era um sacerdote. Jesus, séculos mais tarde, reiterou o mandamento dizendo:

37. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38. Este é o primeiro e grande mandamento.


Mateus 22:37,38

E ainda o refinou trazendo-o para si mesmo:

37. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.

Mateus 10:37

A transgressão de Eli o ocasionou uma duríssima pena, a desolação de sua casa (1 Sm 2:31), a morte de seus dois filhos (1 Sm 2:34) e a mendicância de quem porventura restasse (1 Sm 2:36). Neste caso, Eli não nutriu sentimento de favoritismo entre seus filhos, mas de ama-los mais do que ao próprio Deus.


O Velho Testamento é bastante intolerante quanto aos filhos desobedientes. Tão intolerante a ponto de mata-los. O livro de Deuteronômio diz:

18. Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,
19. Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar;
20. E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
21. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.


Deuteronômio 21:18-21

A brutalidade desta pena capital vigorou por muitos anos, mas graças ao advento do nosso Senhor Jesus, hoje o procedimento quanto aos filhos rebeldes tornou-se mais brando. Jesus deixa isto claro na famosa parábola do filho pródigo.

Na parábola Jesus narra a história de um homem que tinha dois filhos. O filho mais novo pede sua herança e parte para um terra distante, pretendendo viver de maneira desordenada e imoral. Porém, houve fome naquela terra e ele passa por necessidade extrema, a ponto dele querer comer inclusive a ração dos porcos. Arrependido e desiludido, ele decide retornar ao seu pai, mas antes diz a si mesmo:  

18. Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
19. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
20. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.


Esperando ser tratado com severidade e castigo, o pai antes diz:

22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
23. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
24. Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.


Lucas 15:11-24

A parábola termina com a indignação do filho mais velho, este mais obediente e esforçado perante seu pai, mas o pai se justifica dizendo que seu irmão, sendo um pródigo e passivo de morte, passou desta para a vida, sendo justificado através do arrependimento e do perdão.

Todavia, é importante ressaltar que esta é uma opinião pessoal sobre como proceder diante da rebeldia dos filhos.

Jesus Cristo nos ensina que devemos sempre conceder o perdão, mas isto não significa que não devemos disciplina-los quando necessário. O sábio rei Salomão é muito claro ao dizer que a punição corporal (tratado com controvérsia em nossos dias) é uma forma de demonstrar amor aos nossos filhos. Ele diz:

24. O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga.

Provérbios 13:24

E o reforça com mais palavras, dizendo:

15. A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela.

Provérbios 22:15

De maneira rápida, o site dicio.com define “estultícia” como estupidez, falta de discernimento e bom senso.

O próprio Deus repreende aqueles que o amam. Isto é evidenciado na seguinte passagem bíblica:

5. E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido;
6. Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.
7. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?

Hebreus 12:5-7

Portanto, castiga-los fisicamente é uma forma prudente de educação, assim evitando a infame negligência.


Protegidos pelo quinto mandamento e orientados biblicamente quanto ao castigo físico, os pais devem então destratar seus filhos? É claro que não!

Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo diz:

1. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
2. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
3. Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
4. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.


Efésios 6:1-4

O que seria provocar os filhos à ira? O site esbocandoideias.com.br nos dá uma detalhada definição:

a)  Falta de moderação no relacionamento com os filhos: muitos pais usam de sua autoridade como pais para exercer um domínio ameaçador (desequilibrado e violento) diante do filho, fazendo com que ele seja como que um fantoche sem sentimentos, sem sonhos, sem vontades, que deve apenas obedecer a todas as ordens sem questionar nada. Isso gera conflitos (ira) porque a função dos pais é conduzir os filhos ao crescimento em todos os sentidos e não serem dominadores tiranos sobre eles. Pais tiranos produzirão filhos que sempre serão provocados a viver uma vida cheia de ira.

b)      Injustiça nas punições: O lar é um dos primeiros lugares onde os pais devem ensinar o conceito de justiça aos filhos. Pais que usam de punições injustas, exageradas e que visam unicamente trazer sofrimento ao filho, gerarão no coração deste filho um sentimento de ódio, de raiva, de desespero, quando o sentimento que os pais deveriam buscar em suas repreensões é o de condução ao arrependimento e edificação por meio da justiça.

c)       Exigências sem sentido: Alguns pais irritam seus filhos quando os tratam como se fossem seus escravos pessoais, fazendo exigências sem sentido e usando os filhos para satisfazer exigências pessoais que nada têm a ver com criar os filhos na disciplina do Senhor. Conflitos desnecessários surgem aqui, pois os filhos, por mais imaturos que possam ser, conseguem perceber essa disfunção nas exigências dos pais. Um exemplo prático é um pai que exige que seu filho trilhe o caminho de uma certa profissão sem ter em mente o desejo do filho.

d)      Importunações sem propósito: Alguns pais irritam seus filhos por usar sua experiência de vida para criar importunações sem propósito que tem o único objetivo de trazer alguma dor, alguma punição, alguma tristeza aos filhos. Isso, definitivamente, não é o alvo e não atinge o objetivo de criar os filhos na disciplina do Senhor (orientado na Bíblia). Um exemplo prático é um pai que sempre provoca seu filho em alguma deficiência que ele tem. Por exemplo, chamando-o de burro porque ele tirou uma nota baixa na escola.



Nenhum pai prudente e que ama a seu filho deve instrui-lo a andar nos caminhos pecaminosos do mundo, tampouco doutrina-los no engano das ideologias ateístas, idolatrias politeístas, sabedorias mundanas e as carnalidades sexuais da fornicação e do adultério. Devemos ensina-los sempre nos caminhos de Deus.

5. Sabes, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o Senhor teu Deus.
6. E guarda os mandamentos do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos e para o temeres.


Deuteronômio 8:5,6

18. Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos.
19. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te;

Deuteronômio 11:18,19

Separando em tópicos, deixo aqui uma breve orientação quanto a criação dos filhos:

·         Os filhos devem honrar seus pais, pois é mandamento do Senhor (Ex 20:12);
·         Não devemos ter favoritismo e preferência entre os filhos. Os resultados podem ser desastrosos (Gn 25:28; 37:3-4);
·         Não devemos ama-los mais do que a Deus. Os resultados podem ser trágicos (1 Sm 2:29; Mt 22:37-38);
·         Devemos estar sempre dispostos a perdoa-los (Lc 15:11-24);
·         Devemos castiga-los com prudência, fisicamente se necessário (Pv 13:24; 22:15; Hb 12:5-8);
·         Não devemos provoca-los à ira, desprezando-os ou descontando neles nossas frustrações (Ef 6:1-4);
·         Devemos sempre ensina-los nos caminhos de Deus, sendo esta a base de sua educação (Dt 8:5-6; 11:18-19).

Portanto, assim concluo este breve estudo sobre como criar os nossos filhos nas orientações do Senhor.


- Eduardo Redux




sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O Coração segundo a Bíblia



No livro de Jeremias, encontramos a famosa passagem bíblica:

9. Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?

Jeremias 17:9

Advertindo de maneira séria e até um pouco dura, o profeta parece mostrar desprezo pelo coração humano. Mas, falando metafisicamente, qual seria o significado espiritual desta pesada afirmação?

A Bíblia Sagrada como um todo parece não ter grande afeição pelo coração do Homem, antes o condena em vários de seus vícios.   

Jesus Cristo, ao ser questionado sobre a tradição dos antigos, nos alerta quanto aquilo que sai de nossos corações. E, em suas palavras, não é nada de bom. No evangelho de Mateus ele diz:

17. Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora?
18. Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem.
19. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
20. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.


Mateus 15:17-20

De maneira alguma Jesus fazia apologia à falta de higiene, mas falava metaforicamente no âmbito espiritual. Para a Bíblia, o coração é a fonte de todos os atos malignos.

A Bíblia parece fazer uma alusão de coração com a carne. Quanto a este substantivo, a Bíblia de Estudo Plenitude nos dá uma interessante definição:

“Carne, sarx: No sentido literal, sarx refere-se à substância do corpo, quer de animais, quer de pessoas (1Co 15:29; 2Co 12:7). No uso idiomático, a palavra indica a raça humana ou conjunto de pessoas (Mt 24:22; 1Pe 1:24). Em sentido ético e espiritual, sarx é a natureza mais baixa de uma pessoa, o lugar e veículo de desejos pecaminosos (Rm 7:25; 8:4-9; Gl 5:16-17)”.

Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, nota 26:41, pág. 994.   

Paulo, em sua carta aos Gálatas, faz pesadas críticas àqueles que andam segundo a natureza da carne. O apóstolo diz:

16. Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne.
17. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.
18. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19. Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,
20. a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,
21. as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.


Gálatas 5:16-21


Portanto, é de se compreender que – biblicamente – as palavras carne e coração são sinônimas. Todavia, embrutecidos pela impiedade do mundo, a carnalidade do coração pode se tornar como a pedra, sendo necessária retornar – através do Evangelho – ao seu estado original. Neste caso ela não tomaria mais uma conotação ruim. O livro de Ezequiel diz:

26. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.
28. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.


Ezequiel 36:26-28

A passagem acima refere-se ao retorno do povo de Deus do Cativeiro babilônico, mas, em uma aproximação escatológica, pode se referir também ao segundo advento de Cristo.  

Deus sabe onde aplicamos nossos corações. Ao nos ensinar sobre os cuidados deste mundo, Jesus é enfático ao dizer:

19. Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.
20. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.
21. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.


Mateus 6:19-21

Talvez seja por isso que Salomão, séculos antes, ciente das intenções dos homens, escreveu:

2. Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.

Provérbios 21:2

Tiago – tradicionalmente apontado como o irmão biológico de Jesus – também nos admoesta, exortando-nos ao arrependimento ao dizer:

8. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.

Tiago 4:8

Ainda no livro de Provérbios, o rei Salomão nos dá um valioso conselho:

23. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.

Provérbios 4:23

Mas por que devemos guardar nossos corações? Para agradar a Deus, é claro! E também para que os necessitados alcancem o seu favorecimento. O salmista Davi diz:

17. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Salmos 51:17

E também o profeta Isaías, confirmando as palavras de Davi:

15. Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.

Isaías 57:15

Moises, em sua travessia pelo deserto, ouve de Deus o primeiro e mais importante mandamento. Este mudaria o destino do povo eleito para sempre e, consequentemente, de todos os convertidos cristãos.

4. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
5. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.
6. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;


Deuteronômio 6:4-6

Em virtude dos versículos apresentados, não é surpresa afirmar que, devido às imensas falhas morais provenientes do coração humano, Jesus novamente o reitera, sendo taxativo ao dizer:

29. E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
30. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.


Marcos 12:29,30

 
Portanto, para se aproximar de Deus devemos ter em mente alguns tópicos e praticar algumas mudanças em nosso interior, a saber:

  • O coração é enganoso, portanto não devemos confia-lo (Jr 17:9);
  • As intenções malignas vêm do coração, sendo este sua fonte (Mt 15:17-20);
  • Analogamente comparado ao coração, a carne também contrapõe-se ao espírito na iniquidade (Gl 15:16-21);
  • No juízo, Deus quebrantará nossos corações petrificados, substituindo-o por um de carne (Ez 36:26-28);
  • O que temos de mais precioso (nosso tesouro) nos diz muito do que temos em nossos corações (Mt 6:19-21);
  • Apenas Deus sonda os corações (Pv 21:2);
  • Apenas achegando-nos a Deus (em arrependimento) é que Ele se achegará a nós (Tg 4:8);
  • Devemos guardar nossos corações, pois apenas em um coração privado do mal procederão as fontes da vida (Pv 4:23);
  • Deus não resiste a um coração contrito, ou seja, humilhado e arrependido perante o Altíssimo (Sl 51:17; Is 57:15);
  • O mandamento mais importante ordena que amemos a Deus de todo os nossos corações, prevenindo-nos da natureza pecaminosa da carne (Dt 6:4-6; Mc 12:29-30).

Sendo assim, concluo dizendo que o coração segundo a Bíblia é a carne, ou seja, uma maneira metafórica de se referir ao corpo. Devido à nossa natureza carnal – tão suscetível ao pecado –, é esta a razão da Bíblia nos admoestar tão firmemente quanto a importância de “guardar o nosso coração” (Pv 4:23).   



- Eduardo Redux


terça-feira, 24 de julho de 2018

O Melhor da Terra



Certa vez trabalhei em um local onde, no refeitório, havia uma curiosa máquina de suco. Não sei dizer se eram sucos naturais, mas eram simplesmente deliciosos, pois haviam os mais variados sabores e todos, de maneira alguma, pareciam ser artificiais.    

Porém, notei algo contraditório na máquina. Ao me aproximar, senti um cheiro forte vindo de seu interior, um cheiro podre e repulsivo. Não sei o que causava aquele odor, mas mesmo após sua limpeza, parecia haver aquele horrível cheiro vindo de seus componentes.

Isto me provocou uma reflexão: como pode algo que nos agracia com os melhores sabores de frutas, ao mesmo tempo emanar um cheiro tão podre? Se as frutas têm um sabor tão aprazível, então por que exalam um cheiro tão repulsivo quando apodrecem?

A resposta me veio tão forte quanto o cheiro: por que nesta vida tudo perece.

Adicionado a isto, neste mesmo emprego conheci um jovem que costumava dizer que “em tudo o que fazia ele queria ser o melhor”, seja nas atividades profissionais ou pessoais. Não notei a princípio, mas eu me deparava com uma personalidade materialista narcisista.

O jovem não queria apenas ser o melhor, mas comer o melhor, beber o melhor, vestir o melhor, ter o carro melhor, ter a casa melhor, ter o cargo melhor, o salário melhor... Além das coisas mais triviais, como querer ter a maior televisão, a maior casa, a maior porção de comida no prato... Nem que para isso precisasse gastar as quantias mais absurdas de dinheiro.

Não é errado buscarmos a perfeição, mas o que os materialistas ignoram (ou não sabem) é que toda a matéria eventualmente definha e morre. Em outras palavras, tudo nesse mundo está fadado à destruição, inclusive nós mesmos.

A matéria em si, manifestada de maneira tão maravilhosa neste planeta, é essencialmente perecível. Tudo o que vemos, seja a curto ou longo prazo, fatalmente perecerá. Sob o olhar filosófico daqueles que buscam compreender a vida, não é sábio almejar os bens materiais deste mundo, pois em tudo já está decretado o seu fim, tanto científico quanto biblicamente.

Segundo a ciência, o próprio Universo – e não só a Terra – tem um prazo estipulado de duração. A revista Super Interessante listou cinco teorias de como o Universo irá desaparecer:

1.       Big Rip;
2.       Big Crunch;
3.       Buracos Negros;
4.       Morte Térmica do Universo e;
5.       Cruzando a Barreira do Tempo.


A página inovacaotecnologia.com.br publicou uma pesquisa de cientistas chineses quanto ao fim do universo. O site diz:

“Essa ‘Grande Ruptura’ - uma espécie de apocalipse cósmico - é o foco principal da análise de Li XiaoDong e seus colegas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China: ‘Queremos inferir, a partir dos dados atuais, qual seria o pior destino para o Universo’, escreveram eles”.

"(...) ‘Em outras palavras, na pior das hipóteses (95,4% CL), o tempo restante antes do Universo acabar em uma Grande Ruptura é de 16,7 bilhões de anos’, disseram os autores”.



Sendo assim, mesmo a Ciência atesta o fim definitivo da matéria. Mas e a Bíblia, o que ela tem a dizer a respeito?

Enfatizando a salvação da alma e a obediência à Palavra de Deus, a Bíblia nos descreve o fim –  tanto do corpo quanto do mundo – em vários contextos. O apóstolo Pedro, ao nos exortar à santidade, nos alerta quanto a efemeridade da vida:

24. Pois, "toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória, como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor,
25. mas a palavra do Senhor permanece para sempre". Essa é a palavra que lhes foi anunciada.


1 Pedro 1:24,25

O rei Davi, ilustrando o poder de Deus ao protege-lo e livra-lo de seus inimigos, refere-se à fragilidade do homem dizendo:

4. O homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira.

Salmos 144:4

Exortando-nos quanto à presunção do dia de amanhã, o apóstolo Tiago nos diz algo sábio e pertinente:

14. Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.

Tiago 4:14


Visto o quanto a vida é curta e passageira, não é nada prudente desperdiça-la na busca de bens materiais, seja em riquezas, vestimentas ou refeições.   

O rei Salomão, em seu adorável pessimismo, descreve com maestria a amarga condição humana. Sua primeira exortação é sobre a ganância que, muitas vezes, nos consome a alma:

10. Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.
11. Quando aumentam os bens, também aumentam os que os consomem. E que benefício trazem os bens a quem os possui, senão dar um pouco de alegria aos seus olhos?
12. O sono do trabalhador é ameno, quer coma pouco quer coma muito, mas a fartura de um homem rico não lhe dá tranquilidade para dormir.

Em seguida atenta de maneira realista a outro sofrimento humano, o prejuízo e o fracasso:

13. Há um mal terrível que vi debaixo do sol: riquezas acumuladas para infelicidade do seu possuidor.
14. Se as riquezas se perdem num mau negócio, nada ficará para o filho que lhe nascer.
15. O homem sai nu do ventre de sua mãe, e como vem, assim vai. De todo o trabalho em que se esforçou nada levará consigo.

Há angústia na busca gananciosa pelo melhor da Terra, e no tempo que nos é dado, esta busca não é proveitosa, pois todos – indistintamente – estamos fadados a morrer.

16. Há também outro mal terrível: Como o homem vem, assim ele vai, e o que obtém, de todo o seu esforço em busca do vento?
17. Passa toda a sua vida nas trevas, com grande frustração, doença e amargura.

Não é pecado almejar as delícias deste mundo, mas de maneira alguma este deve ser nosso foco. Deus é nossa prioridade, hoje, ontem e sempre. O pregador nos diz:

18. Assim, descobri que o melhor e o que vale a pena é comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus dá ao homem, pois essa é a sua recompensa.
19. E, quando Deus concede riquezas e bens a alguém, e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus.
20. Raramente essa pessoa reflete no fato de que a sua vida é curta, porque Deus o mantém ocupado com a alegria do coração.


Eclesiastes 5:10-20


Os materialistas, hedonistas, egoístas e narcisistas podem ficar com o melhor da Terra, mas eu ficarei com Deus, nem que para isto eu passe pela angústia, o fracasso e a miséria.

31.Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32. Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
33. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.


Mateus 6:31-33

Ressaltando, não é errado buscar ser o melhor, mas o é quando colocamos o egoísmo acima de Deus em nossas vidas! Portanto devemos suportar a tentação e controlar a ansiedade que nos aflige.

Entretanto, há recompensa para quem age prudentemente buscando a Deus em primeiro lugar?

Moisés, inspirado por Deus, fala em seu intermédio dizendo:

1. E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra.
2. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus


Deuteronômio 28:1,2

O profeta Isaías igualmente reforça esta promessa. Ao exortar o povo de Jerusalém quanto à sua destruição iminente, ele diz:

19. Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra.

Isaías 1:19

É importante relembrar que nada é eterno neste mundo. Os melhores sabores, os melhores pratos, as melhores roupas de melhor qualidade... Eventualmente tudo terá fim. Mas há algo que permanecerá para sempre: a Palavra de Deus.

35. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.

Mateus 24:35

Tenha em mente que para o cristão Deus é o melhor da Terra, e não suas mais variadas delícias que, por sua graça, Ele pode nos oferecer.

Desta maneira, eu concluo este texto com uma elucidante passagem bíblica. Jesus, irritado ao ser inquirido sobre a divisão de uma herança entre irmãos, advertiu-os quanto a ganância e avareza propondo-lhes esta maravilhosa parábola. Ele diz:

16. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;
17. E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.
18. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
19. E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
20. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
21. Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.


Lucas 12:16-21



- Eduardo Redux



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