quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O Divórcio é Pecado? - Parte 1



O divórcio é pecado segundo a Bíblia? Esta é uma dúvida que parece ser ignorada em nossa sociedade moderna, inclusive pelos cristãos. Entretanto, há condições e exceções em que a Bíblia o permite?

A parte mais incisiva da Bíblia quanto ao divórcio encontra-se no evangelho de Mateus. Os fariseus, com a intenção de flagrar Jesus em blasfêmia, lhes perguntaram se era lícito repudiar (ou separa-se) de sua mulher. Este os respondeu:

4. Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,
5. E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
6. Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.


Mateus 19:4-6  

Neste trecho, Jesus cita a primeira passagem bíblica onde evidencia-se a fundação do casamento monogâmico. No capítulo 2 do livro de Gênesis diz:

22. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.
23. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.
24. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.


Gênesis 2:22-24

Para quem quiser saber mais sobre a legitimidade do casamento monogâmico, segue o link de minha postagem no meu blog:


Em seguida, os fariseus o perguntam:

7. Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?

Mateus 19:7

Apesar do ardil para prenderem Jesus, esta pergunta foi muito pertinente. De fato, os fariseus citavam a passagem do livro de Deuteronômio, escrito por Moisés no Antigo Testamento.

1. Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa.

Deuteronômio 24:1

Desta forma, todo o povo se encheu de dúvida, como muitos cristãos se enchem hoje, quanto à validade do divórcio perante o Senhor. Mas Jesus, em sua infinita sabedoria e conhecimento das Escrituras, novamente os responde, dizendo:

8. Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
9. Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.


Mateus 19:8-9

Aqui é necessário uma breve lição teológica quanto ao termo fornicação (v. 9). Em algumas traduções é substituído por “prostituição”, “relações sexuais ilícitas” ou “adultério”. A Bíblia de Estudo Plenitude, referenciando o ensino sobre o adultério no capítulo 5 de Mateus, emite uma nota, a seguir:

“Os fariseus interpretaram os ensinamentos de Moisés sobre o divórcio (Dt 24.1) como significando que um homem poderia divorciar-se de sua esposa mediante qualquer motivo. Aqui, Jesus opõe-se ao abuso deles, restringindo o divórcio aos fundamentos das relações sexuais ilícitas, uma expressão que significa qualquer desvio dos padrões bíblicos claramente definidos para a atividade sexual (por exemplo, homossexualidade, adultério, fornicação e prostituição).

Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, nota 5.31-32, pag. 960.

Esta palavra no texto original (em grego do século 1) é πορνεί , lendo-se porneia , e tem significado idêntico ao citado na Bíblia de Estudo Plenitude. No site biblehub.com é traduzida como fornicação, prostituição e idolatria.

Fonte da passagem bíblica em grego: https://biblehub.com/whdc/matthew/19.htm

Fonte da definição de porneia (em inglês): https://biblehub.com/greek/4202.htm
  

Em uma observação pessoal, pude relacionar o porneia de Mt 19:9 com uma prostituição não somente carnal, mas espiritual segundo a Bíblia.

Para Deus, aqueles que abandonam a fé em seu nome e entregam-se à idolatria, cometem adultério espiritual, prostituindo-se a outros deuses. Isto fica evidente no livro de Êxodo, nas seguintes passagens:

14. Nunca adore nenhum outro deus, porque o Senhor, cujo nome é Zeloso, é de fato Deus zeloso.
15. "Acautele-se para não fazer acordo com aqueles que já vivem na terra; pois quando eles se prostituírem, seguindo aos seus deuses e lhes oferecerem sacrifícios, convidarão você e poderão levá-lo a comer dos seus sacrifícios
16. e escolher para os seus filhos mulheres dentre as filhas deles. Quando elas se prostituírem, seguindo aos seus deuses, poderão levar os seus filhos a se prostituírem também”.


Êxodo 34:14-16

Ou no livro de Oséias quando Deus, falando através do profeta, diz:

12. Eis que o meu povo tem consultado ídolos de madeira, e de um pedaço de pau acreditam que recebem respostas. Ora, um espírito de prostituição os seduz; e eles, prostituindo-se, se afastam e abandonam o seu Deus.   

Oséias 4:12

Para quem quiser saber mais sobre a prostituição espiritual, deixo os links de minhas postagens sobre este assunto no meu blog:



Todavia, é correto afirmar que a prostituição espiritual valida o divórcio?

Paulo, em diversas passagens bíblicas, fala a respeito do casamento. Em uma de suas passagens ele fala sobre o famoso “jugo desigual”. Na segunda carta aos Coríntios ele diz:

14. Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?
15. E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?
16. E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.


2 Coríntios 6:14-16

Portanto, não devemos nos unir com os infiéis, pois estes nos farão pecar, induzindo-nos ao pecado muitas vezes ao da prostituição. Isto significa que não devemos sequer cogitar casamento com eles, pois há o risco de nos tornarmos igualmente idólatras.

Devemos conservar a nossa fé e salvação em Cristo.

Em sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo nos esclarece mais profundamente este assunto. Primeiro ele reforça a ideia de não nos divorciarmos, assim cumprindo o mandamento divino:

10. Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido.
11. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.


1 Coríntios 7:10,11

Em seguida, nos aconselha a permanecermos com os nossos cônjuges, independente destes se converterem ou não.

12. Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a abandone.
13. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não deixe o marido.
14. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos.


1 Coríntios 7:12-14

Mas se, por alguma razão, o cônjuge descrente vier a separar-se, estamos livres para deixa-los ir, assim validando o divórcio.

15. Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.
16. Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?


1 Coríntios 7:15,16


Não é pecado o divórcio entre um fiel e um infiel, mas a iniciativa deve vir do infiel sempre. A Bíblia de Estudo Plenitude nos elucida melhor esta ideia:

“Aos mais: Essa seção trata do casamento entre um crente e um descrente. Jesus não orientou sobre isso; então, Paulo deve responder com sua autoridade apostólica. Os casamentos em que um dos parceiros se torna cristão mais tarde são válidos e devem permanecer intactos. Qualquer separação dever ser iniciada pelo parceiro descrente”.

Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, nota 7:12-16, pag. 1187.

Há um complemento em outra nota, a seguir:

“Quando um descrente inicia um divórcio além do controle do crente, o crente está livre do relacionamento e não fica sujeito à servidão de mantê-lo intacto. Paulo se cala em relação a um novo casamento em uma situação como esta”.

Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, nota 7:15, pag. 1187.

Voltando ao evangelho de Mateus, os discípulos não ficam nada contentes com o ensinamento.

10. Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.

Mateus 19:10

Jesus, porém, não se importa com seus descontentamentos. Na verdade ele não dá a mínima. Em sua resposta ele diz:

11. Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
12. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.


Mateus 19:11,12



Continua na Parte Final.




segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Como Sermos Bons Pais segundo a Bíblia?



Muitos pais parecem se favorecer da prerrogativa do quinto mandamento quanto à criação dos filhos, mas este é, de fato, um embasamento bíblico para os negligenciarmos?

No livro de Êxodo diz:

12. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.

Êxodo 20:12

Desta maneira, nós, os filhos, estamos biblicamente obrigados a honrar nossos pais. Este é o quinto mandamento, não estipulado ou concebido pelos homens, mas ordenado pelo próprio Deus.

Entretanto, conforme dito acima, muitos pais negligenciam seus filhos e se blindam da responsabilidade paterna se utilizando do mandamento divino como pretexto. Assim eles não assumem seus próprios erros e – pior ainda – não os corrigem.   

Mas o que seria negligenciar? O site dicio.com o define:

1.       Não ter cuidado com;
2.       Ter negligência nos modos como se trata algo ou alguém;
3.       Desleixar ou desleixar-se: a mãe negligenciou os filhos; ele se negligenciou após o seu casamento.


Vejamos alguns exemplos bíblicos do que se acontece quando os pais negligenciam os filhos. A preferência entre os filhos lhes causa insegurança e ressentimento. Isaque e Rebeca tiveram dois filhos, Esaú e Jacó, mas nutriram sentimentos de preferência entre eles (Gn 25:28). Jacó, com a ajuda de sua mãe, engana a Isaque, roubando a bênção da primogenitura (Gn 27:18-29). Isto o ocasionaria um terrível pecado que o perseguiria por quase vinte anos (Gn 31:41).    

Apesar de passar por esta situação desagradável, Jacó parecia não ter aprendido a lição. Com o nascimento de José (Gn 30:22-24), fruto de Raquel, a mulher que ele realmente amava (Gn 29:18), ele também nutre um sentimento de favoritismo entre os seus filhos (Gn 37:3-4), ocasionando uma tentativa de homicídio contra a vida de José (Gn 37:18) e consequentemente sua venda como escravo (Gn 37:27-28).

Portanto, vemos como a preferência entre os filhos causa danos profundos na família.

Eli, o sacerdote, tinha dois filhos, Hofní e Fineias. Estes, devido à sua tamanha perversidade, a própria Bíblia os classificou como filhos de Belial (1 Sm 2:12). Mas, diferente dos patriarcas, Eli não tinha preferência entre seus filhos, ao contrário, os amava profundamente, a tal ponto de honrá-los mais do que ao próprio Senhor (1 Sm 2:29).  

Esta era uma clara violação do primeiro mandamento, o que seria intolerável para alguém que era um sacerdote. Jesus, séculos mais tarde, reiterou o mandamento dizendo:

37. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
38. Este é o primeiro e grande mandamento.


Mateus 22:37,38

E ainda o refinou trazendo-o para si mesmo:

37. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.

Mateus 10:37

A transgressão de Eli o ocasionou uma duríssima pena, a desolação de sua casa (1 Sm 2:31), a morte de seus dois filhos (1 Sm 2:34) e a mendicância de quem porventura restasse (1 Sm 2:36). Neste caso, Eli não nutriu sentimento de favoritismo entre seus filhos, mas de ama-los mais do que ao próprio Deus.


O Velho Testamento é bastante intolerante quanto aos filhos desobedientes. Tão intolerante a ponto de mata-los. O livro de Deuteronômio diz:

18. Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,
19. Então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar;
20. E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
21. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.


Deuteronômio 21:18-21

A brutalidade desta pena capital vigorou por muitos anos, mas graças ao advento do nosso Senhor Jesus, hoje o procedimento quanto aos filhos rebeldes tornou-se mais brando. Jesus deixa isto claro na famosa parábola do filho pródigo.

Na parábola Jesus narra a história de um homem que tinha dois filhos. O filho mais novo pede sua herança e parte para um terra distante, pretendendo viver de maneira desordenada e imoral. Porém, houve fome naquela terra e ele passa por necessidade extrema, a ponto dele querer comer inclusive a ração dos porcos. Arrependido e desiludido, ele decide retornar ao seu pai, mas antes diz a si mesmo:  

18. Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
19. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
20. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.


Esperando ser tratado com severidade e castigo, o pai antes diz:

22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
23. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
24. Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.


Lucas 15:11-24

A parábola termina com a indignação do filho mais velho, este mais obediente e esforçado perante seu pai, mas o pai se justifica dizendo que seu irmão, sendo um pródigo e passivo de morte, passou desta para a vida, sendo justificado através do arrependimento e do perdão.

Todavia, é importante ressaltar que esta é uma opinião pessoal sobre como proceder diante da rebeldia dos filhos.

Jesus Cristo nos ensina que devemos sempre conceder o perdão, mas isto não significa que não devemos disciplina-los quando necessário. O sábio rei Salomão é muito claro ao dizer que a punição corporal (tratado com controvérsia em nossos dias) é uma forma de demonstrar amor aos nossos filhos. Ele diz:

24. O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga.

Provérbios 13:24

E o reforça com mais palavras, dizendo:

15. A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela.

Provérbios 22:15

De maneira rápida, o site dicio.com define “estultícia” como estupidez, falta de discernimento e bom senso.

O próprio Deus repreende aqueles que o amam. Isto é evidenciado na seguinte passagem bíblica:

5. E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido;
6. Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.
7. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?

Hebreus 12:5-7

Portanto, castiga-los fisicamente é uma forma prudente de educação, assim evitando a infame negligência.


Protegidos pelo quinto mandamento e orientados biblicamente quanto ao castigo físico, os pais devem então destratar seus filhos? É claro que não!

Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo diz:

1. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
2. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
3. Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
4. E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.


Efésios 6:1-4

O que seria provocar os filhos à ira? O site esbocandoideias.com.br nos dá uma detalhada definição:

a)  Falta de moderação no relacionamento com os filhos: muitos pais usam de sua autoridade como pais para exercer um domínio ameaçador (desequilibrado e violento) diante do filho, fazendo com que ele seja como que um fantoche sem sentimentos, sem sonhos, sem vontades, que deve apenas obedecer a todas as ordens sem questionar nada. Isso gera conflitos (ira) porque a função dos pais é conduzir os filhos ao crescimento em todos os sentidos e não serem dominadores tiranos sobre eles. Pais tiranos produzirão filhos que sempre serão provocados a viver uma vida cheia de ira.

b)      Injustiça nas punições: O lar é um dos primeiros lugares onde os pais devem ensinar o conceito de justiça aos filhos. Pais que usam de punições injustas, exageradas e que visam unicamente trazer sofrimento ao filho, gerarão no coração deste filho um sentimento de ódio, de raiva, de desespero, quando o sentimento que os pais deveriam buscar em suas repreensões é o de condução ao arrependimento e edificação por meio da justiça.

c)       Exigências sem sentido: Alguns pais irritam seus filhos quando os tratam como se fossem seus escravos pessoais, fazendo exigências sem sentido e usando os filhos para satisfazer exigências pessoais que nada têm a ver com criar os filhos na disciplina do Senhor. Conflitos desnecessários surgem aqui, pois os filhos, por mais imaturos que possam ser, conseguem perceber essa disfunção nas exigências dos pais. Um exemplo prático é um pai que exige que seu filho trilhe o caminho de uma certa profissão sem ter em mente o desejo do filho.

d)      Importunações sem propósito: Alguns pais irritam seus filhos por usar sua experiência de vida para criar importunações sem propósito que tem o único objetivo de trazer alguma dor, alguma punição, alguma tristeza aos filhos. Isso, definitivamente, não é o alvo e não atinge o objetivo de criar os filhos na disciplina do Senhor (orientado na Bíblia). Um exemplo prático é um pai que sempre provoca seu filho em alguma deficiência que ele tem. Por exemplo, chamando-o de burro porque ele tirou uma nota baixa na escola.



Nenhum pai prudente e que ama a seu filho deve instrui-lo a andar nos caminhos pecaminosos do mundo, tampouco doutrina-los no engano das ideologias ateístas, idolatrias politeístas, sabedorias mundanas e as carnalidades sexuais da fornicação e do adultério. Devemos ensina-los sempre nos caminhos de Deus.

5. Sabes, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o Senhor teu Deus.
6. E guarda os mandamentos do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos e para o temeres.


Deuteronômio 8:5,6

18. Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontais entre os vossos olhos.
19. E ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te;

Deuteronômio 11:18,19

Separando em tópicos, deixo aqui uma breve orientação quanto a criação dos filhos:

·         Os filhos devem honrar seus pais, pois é mandamento do Senhor (Ex 20:12);
·         Não devemos ter favoritismo e preferência entre os filhos. Os resultados podem ser desastrosos (Gn 25:28; 37:3-4);
·         Não devemos ama-los mais do que a Deus. Os resultados podem ser trágicos (1 Sm 2:29; Mt 22:37-38);
·         Devemos estar sempre dispostos a perdoa-los (Lc 15:11-24);
·         Devemos castiga-los com prudência, fisicamente se necessário (Pv 13:24; 22:15; Hb 12:5-8);
·         Não devemos provoca-los à ira, desprezando-os ou descontando neles nossas frustrações (Ef 6:1-4);
·         Devemos sempre ensina-los nos caminhos de Deus, sendo esta a base de sua educação (Dt 8:5-6; 11:18-19).

Portanto, assim concluo este breve estudo sobre como criar os nossos filhos nas orientações do Senhor.


- Eduardo Redux




sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O Coração segundo a Bíblia



No livro de Jeremias, encontramos a famosa passagem bíblica:

9. Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?

Jeremias 17:9

Advertindo de maneira séria e até um pouco dura, o profeta parece mostrar desprezo pelo coração humano. Mas, falando metafisicamente, qual seria o significado espiritual desta pesada afirmação?

A Bíblia Sagrada como um todo parece não ter grande afeição pelo coração do Homem, antes o condena em vários de seus vícios.   

Jesus Cristo, ao ser questionado sobre a tradição dos antigos, nos alerta quanto aquilo que sai de nossos corações. E, em suas palavras, não é nada de bom. No evangelho de Mateus ele diz:

17. Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora?
18. Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem.
19. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
20. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.


Mateus 15:17-20

De maneira alguma Jesus fazia apologia à falta de higiene, mas falava metaforicamente no âmbito espiritual. Para a Bíblia, o coração é a fonte de todos os atos malignos.

A Bíblia parece fazer uma alusão de coração com a carne. Quanto a este substantivo, a Bíblia de Estudo Plenitude nos dá uma interessante definição:

“Carne, sarx: No sentido literal, sarx refere-se à substância do corpo, quer de animais, quer de pessoas (1Co 15:29; 2Co 12:7). No uso idiomático, a palavra indica a raça humana ou conjunto de pessoas (Mt 24:22; 1Pe 1:24). Em sentido ético e espiritual, sarx é a natureza mais baixa de uma pessoa, o lugar e veículo de desejos pecaminosos (Rm 7:25; 8:4-9; Gl 5:16-17)”.

Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, nota 26:41, pág. 994.   

Paulo, em sua carta aos Gálatas, faz pesadas críticas àqueles que andam segundo a natureza da carne. O apóstolo diz:

16. Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne.
17. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.
18. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19. Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,
20. a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,
21. as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.


Gálatas 5:16-21


Portanto, é de se compreender que – biblicamente – as palavras carne e coração são sinônimas. Todavia, embrutecidos pela impiedade do mundo, a carnalidade do coração pode se tornar como a pedra, sendo necessária retornar – através do Evangelho – ao seu estado original. Neste caso ela não tomaria mais uma conotação ruim. O livro de Ezequiel diz:

26. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.
27. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.
28. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.


Ezequiel 36:26-28

A passagem acima refere-se ao retorno do povo de Deus do Cativeiro babilônico, mas, em uma aproximação escatológica, pode se referir também ao segundo advento de Cristo.  

Deus sabe onde aplicamos nossos corações. Ao nos ensinar sobre os cuidados deste mundo, Jesus é enfático ao dizer:

19. Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam.
20. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.
21. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.


Mateus 6:19-21

Talvez seja por isso que Salomão, séculos antes, ciente das intenções dos homens, escreveu:

2. Todo caminho do homem é reto aos seus olhos, mas o Senhor sonda os corações.

Provérbios 21:2

Tiago – tradicionalmente apontado como o irmão biológico de Jesus – também nos admoesta, exortando-nos ao arrependimento ao dizer:

8. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.

Tiago 4:8

Ainda no livro de Provérbios, o rei Salomão nos dá um valioso conselho:

23. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.

Provérbios 4:23

Mas por que devemos guardar nossos corações? Para agradar a Deus, é claro! E também para que os necessitados alcancem o seu favorecimento. O salmista Davi diz:

17. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Salmos 51:17

E também o profeta Isaías, confirmando as palavras de Davi:

15. Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.

Isaías 57:15

Moises, em sua travessia pelo deserto, ouve de Deus o primeiro e mais importante mandamento. Este mudaria o destino do povo eleito para sempre e, consequentemente, de todos os convertidos cristãos.

4. Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
5. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.
6. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;


Deuteronômio 6:4-6

Em virtude dos versículos apresentados, não é surpresa afirmar que, devido às imensas falhas morais provenientes do coração humano, Jesus novamente o reitera, sendo taxativo ao dizer:

29. E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
30. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.


Marcos 12:29,30

 
Portanto, para se aproximar de Deus devemos ter em mente alguns tópicos e praticar algumas mudanças em nosso interior, a saber:

  • O coração é enganoso, portanto não devemos confia-lo (Jr 17:9);
  • As intenções malignas vêm do coração, sendo este sua fonte (Mt 15:17-20);
  • Analogamente comparado ao coração, a carne também contrapõe-se ao espírito na iniquidade (Gl 15:16-21);
  • No juízo, Deus quebrantará nossos corações petrificados, substituindo-o por um de carne (Ez 36:26-28);
  • O que temos de mais precioso (nosso tesouro) nos diz muito do que temos em nossos corações (Mt 6:19-21);
  • Apenas Deus sonda os corações (Pv 21:2);
  • Apenas achegando-nos a Deus (em arrependimento) é que Ele se achegará a nós (Tg 4:8);
  • Devemos guardar nossos corações, pois apenas em um coração privado do mal procederão as fontes da vida (Pv 4:23);
  • Deus não resiste a um coração contrito, ou seja, humilhado e arrependido perante o Altíssimo (Sl 51:17; Is 57:15);
  • O mandamento mais importante ordena que amemos a Deus de todo os nossos corações, prevenindo-nos da natureza pecaminosa da carne (Dt 6:4-6; Mc 12:29-30).

Sendo assim, concluo dizendo que o coração segundo a Bíblia é a carne, ou seja, uma maneira metafórica de se referir ao corpo. Devido à nossa natureza carnal – tão suscetível ao pecado –, é esta a razão da Bíblia nos admoestar tão firmemente quanto a importância de “guardar o nosso coração” (Pv 4:23).   



- Eduardo Redux


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