[Recomendo que leiam as partes anteriores]
Devido ao extenso estudo, este capítulo será dividido em duas partes. Nele veremos
a história da Torre de Babel e a origem da variedade de línguas.
O versículo 1 do capítulo 11 diz:
1. E era toda a
terra de uma mesma língua e de uma mesma fala.
2. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali.
2. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali.
Estima-se que a terra de Sinar refira-se à uma região da
Mesopotâmia. A seguir uma definição etimológica da palavra:
“Sinar, Sinear ou (menos frequente) Shinear, (em
hebraico שִׁנְעָר Šinʻar, na Septuaginta, Σεναάρ Senaar) é uma localidade
geográfica bíblica de fronteiras incertas
na Mesopotâmia.
O nome pode ser uma decomposição do hebraico Shene neharot ("dois rios")
ou Shene arim ("duas
cidades"), ou do acadiano Sumeru”.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sinar
O site dawnbible.com nos dá uma definição mais
detalhada:
"As terras de Sinar e Assur referidas na Bíblia situam-se na área conhecida como Mesopotâmia, que significa a 'terra entre-os-rios'. Este antigo país é agora conhecido como Iraque, com apenas uma pequena parte do território original".
"Nos tempos primitivos, a parte sul deste país era chamada de Babilônia, e a parte norte de Assíria. Ainda cedo, a planície sul era chamada de Sumer, a parte norte de Acade. A área é de aproximadamente 966 km de comprimento e 400 km de largura. É geralmente tratado como um retângulo através do qual correm dois grandes rios, Tigre e Eufrates. Esta área, há muito tem sido considerada pelos estudiosos como berço da raça humana".
Fonte: http://www.dawnbible.com/pt/2012/1201-hl.htm
3. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.
O betume foi usado na construção da Arca (Gn 6:14). Ao
edificar a Torre, os sumérios (habitantes da planície de Sumer) usaram o mesmo
material como argamassa. O betume é uma mistura líquida de alta viscosidade,
usado até hoje na construção civil como impermeabilizante. A seguir uma foto do
betume fresco:
4. E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade
e uma torre cujo cume toque nos
céus, e façamo-nos um nome, para que não
sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.
No versículo 4 começa a história da Torre de Babel,
atribuída ao poderoso rei Ninrode (Gn 10:8-10). Há muitas especulações e
teorias quanto à sua origem e existência. Alguns relacionam a história ao
templo de Marduk, e outros dizem se tratar da torre de Nabucodonossor II. O
site historiadomundo.uol.com.br diz:
“Segundo o Antigo Testamento (Gênesis 11:1-9), a torre foi construída na
Babilônia pelos descendentes de Noé, com a intenção de eternizar seus nomes. A
decisão era fazê-la tão alta que alcançasse o céu. Esta soberba provocou a ira
de Deus que, para castigá-los, confundiu-lhes as línguas e os espalhou por toda
a Terra”.
“Este mito é, provavelmente, inspirado na torre do templo de Marduk, nome cuja forma em hebraico é Babel ou Bavel e significa "porta de Deus". Hoje, entende-se esta história como uma tentativa dos povos antigos de explicarem a diversidade de idiomas. No entanto, ainda restam no sul da antiga Mesopotâmia ruínas de torres que se ajustam perfeitamente à torre de Babel descrita pela Bíblia”.
“Este mito é, provavelmente, inspirado na torre do templo de Marduk, nome cuja forma em hebraico é Babel ou Bavel e significa "porta de Deus". Hoje, entende-se esta história como uma tentativa dos povos antigos de explicarem a diversidade de idiomas. No entanto, ainda restam no sul da antiga Mesopotâmia ruínas de torres que se ajustam perfeitamente à torre de Babel descrita pela Bíblia”.
“Muitos arqueólogos relacionam o relato bíblico da Torre de Babel com a
queda do famoso templo-torre de Etemenanki,
na Babilônia, depois reconstruído pelo rei Nabopolasar
e seu filho Nabucodonosor II. Dizem
também que a torre foi um zigurate, uma construção piramidal escalonada”.
Fonte: http://historiadomundo.uol.com.br/babilonia/torre-babel.htm
Foto do (supostamente) Templo de Marduk:
Ilustração do Templo de Etemenanki:
Entretanto, o site da Revista Galileu divulga uma
matéria trazendo evidências sobre a torre:
“Novo estudo sobre uma pedra encontrada na antiga Babilônia há cerca de um século pode comprovar a existência da Torre de Babel. Segundo o professor da
Universidade de Londres Andrew George, no objeto há um desenho de uma torre com degraus e uma pessoa
segurando uma lança e usando um chapéu de cone. “Abaixo há um texto que diz
‘zigurate’ [monumento em forma de pirâmide], ou ‘Templo da Babilônia'”, afirma
ele em entrevista à Smithsonian”.
“A pedra do século 6 a.C.,
para o especialista, mostra a primeira imagem real da Torre de Babel, evidenciando as sete camadas da estrutura, além de
identificar um homem por trás de sua construção, o imperador Nabucodonosor II”.
“O objeto também revela detalhes da construção da estrutura, e mais
importante, como Nabucodonosor a construiu. A história escrita na rocha é como
a que está na Bíblia, o que aumenta
as suspeitas do pesquisador”.
“De acordo com o Gênesis, primeiro livro da Bíblia, a Torre de Babel foi construída por descendentes de Noé, após o dilúvio. Segundo a história, o monumento teria sido criado para que os homens pudessem se comunicar com Deus, mas foi destruído porque o Todo Poderoso não gostava da soberba das pessoas”.
“Acredita-se que, se a construção existiu, ela estava situada na capital
da Babilônia, Babel, e foi
construída em forma de zigurate, ou
seja, uma pirâmide com camadas terraplanadas”.
“Nabucodonosor II é considerado por muitos o maior imperador da Babilônia. Governou entre 604 a.C. e 562 a.C. e foi o responsável pela construção de canais, aquedutos e reservatórios por todo território do império”.
“O governante teve muito sucesso em seus embates, conquistando o
território em que hoje fica Jerusalém
e derrotando mais de uma vez os egípcios e os fenícios”.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/06/novas-evidencias-podem-provar-existencia-da-torre-de-babel.html
5. Então desceu o
Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam;
6. E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
7. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.
6. E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
7. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.
Aqui denota-se que Deus fala de si mesmo no plural.
Provavelmente se refira ao termo Elohim,
significando “deuses”, porém sempre tratado como um Deus único na Bíblia. A
noção de Elohim, visto pela primeira vez em Gênesis 1:1, é a base para o
entendimento da Trindade. Mais detalhes em minha postagem “A Santíssima
Trindade – Uma Reflexão Sobre Sua Natureza”.
Quanto a variedade de línguas, há um estudo sobre a
origem dos idiomas do mundo. Surpreendentemente, esta origem remete à região da
Anatólia, sul da Turquia, não muito distante do Monte Ararate!
A seguir uma matéria da revista Super Interessante:
“Os estudos viriam confirmar a
crença dos antigos. Segundo o linguista Cidmar Teodoro Pais, da USP, a
comparação entre as várias línguas do planeta, tanto as ainda faladas quanto as
já desaparecidas, revela efetivamente algumas características comuns que apontam para a possível
existência de uma língua primeira, mãe
de todas. Nesse ponto, a Linguística parece se afinar com as mitologias que
descrevem a dispersão das línguas
pelo mundo”.
“A mais conhecida delas é a história bíblica da Torre de Babel. Segundo o Antigo Testamento, a multiplicação das
línguas foi um castigo de Deus à pretensão dos homens de construir uma torre
cujo topo penetrasse no céu. As lendas chinesas
contam que a divisão da língua original fez com que o universo “se desviasse do
caminho certo”. Na mitologia persa,
Arimã, o espírito do mal, pulverizou a linguagem dos homens em trinta idiomas.
E um dos livros sagrados dos maias,
o Popol Vuh, lamenta: “Aqui as línguas da tribo mudaram — sua fala ficou
diferente. (…) Nossa língua era uma
quando partimos de Tulán. Ai! Esquecemos nossa fala”.
“Descobriram os linguistas que esses idiomas descendem
de um mesmo e único tronco, o indo-europeu, pertencendo, portanto à grande
família das línguas indo-europeias
que inclui também o grego, o armênio, o russo, o alemão, entre muitas outras.
Hoje, aproximadamente a metade da
população mundial tem como língua nativa um idioma dessa família”.
“As pesquisas mais recentes afirmam que o proto-indo-europeu era falado
há cerca de 6 mil anos na Ásia e não
na Europa Central. Dois trabalhos, um do americano Colin Renfrew, outro dos
soviéticos Thomas Gamkrelidze e V.V. Ivanov, concordam ao apontar o berço do
indo-europeu como o planalto da Anatólia,
uma região que vai da Turquia à
República da Armênia, que faz parte
da União Soviética. Dali, movidos pela busca de terras férteis e de novos
campos de caça, os indo-europeus migraram, há uns cinco milênios, seja para a Europa, seja para a Ásia”.
“Uma delas é a incrível semelhança de palavras entre as línguas indígenas
da América pré-colombiana e idiomas
falados pelos povos do Mediterrâneo
e Oriente Médio. Por exemplo, os
índios araucanos do Chile usam a
mesma palavra que os antigos egípcios,
anta, para designar o Sol e a mesma palavra que os antigos sumérios, bal, para
machado. A palavra araucana para cidade é kar, semelhante a cidade em fenício,
que é kart. Há mais: a palavra maia thallac, que designa “o que não é sólido”,
é semelhante a Thallath, o nome da deusa do caos na antiga Babilônia. Curiosamente, thallac lembra ainda thalassa, mar em grego, e Tlaloc, o deus asteca da
chuva. Shapash, o deus-sol dos fenícios, é também o deus-sol dos índios
klamath, no Oregon, Estados Unidos.
Essas misteriosas semelhanças escapam a qualquer tentativa de classificação”.
Fonte: https://super.abril.com.br/historia/antes-da-torre-de-babel/
No site ultimosegundo.ig.com.br há outra matéria, que
diz:
“Usando metodologias usadas para montar árvores
genealógicas, biólogos disseram ter conseguido resolver um dos maiores enigmas
da arqueologia: a origem da família
indo-europeia de idiomas”.
“Linguistas acreditam que os primeiros a falar a suposta “língua-mãe”,
chamada de proto indo-europeu, eram
pastores nômades e guerreiros que saíram de sua terra natal, as estepes ao
norte do Mar Negro, há 4000 anos, e conquistaram a Europa e a
Ásia. Uma teoria rival diz que, ao contrário, os primeiros a falar o
indo-europeu eram os fazendeiros pacíficos na Anatólia, hoje na Turquia, há cerca de 9000 anos, que disseminaram sua língua pela enxada, não a espada”.
“O novo integrante do debate é o biólogo evolucionista Quentin Atkinson, da Universidade de Auckland, na
Nova Zelândia. Ele e sua equipe analisaram o vocabulário atual e o alcance
geográfico de 103 línguas indo-europeias e com a ajuda de computadores,
retraçaram seus passos até sua origem mais estatisticamente provável”.
“O resultado, divulgado na edição desta semana do
periódico científico Science, foi o apoio decisivo à teoria da Anatólia, em detrimento da teoria
russa. Tanto a cronologia quanto a base da árvore genealógica dos idiomas
indo-europeus “se encaixa com uma expansão agrícola que teria começado entre oito mil e 9500 anos atrás”, escreveram
no estudo”.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-08-24/estudo-mostra-que-a-origem-das-maiores-dos-idiomas-esta-na-turquia.html
8. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
9. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.
A seguir a origem etimológica de Babel:
“Em assírio é Bab-ilu,
porta de Deus; o verbo hebraico balal
significa confundir (Gn 10:10). Cidade na planície de Sinar, fundada por Ninrode.
Depois do dilúvio, os sobreviventes viveram juntos até que alcançaram o Sinar.
Aqui fizeram tijolos e edificaram uma cidade, que eles esperavam ser o centro do império do mundo (Gn 11)”.
“Talvez, como lembrança do dilúvio, eles pensassem em
prevenir-se contra outra calamidade semelhante, edificando uma torre altíssima,
identificada com Birs, agora Birs Nimrude.
Mas os seus planos foram frustrados por Deus (Gn 11:5-8), que confundiu a sua
linguagem e os obrigou a dispersarem-se sobre a terra”.
Fonte: http://biblia.com.br/dicionario-biblico/b/babel/
Continua na Parte 11.







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